quinta-feira, 1 de março de 2018

Festa celebra a abertura da pesca do mapará em Cametá


Mapará é fonte de renda e alimento para milhares de pessoas da região

A pescaria do peixe mapará é um evento grandioso que atrai milhares de pessoas para a região das ilhas do baixo Tocantins, no Pará. No primeiro de março, dia da abertura da pesca, o sol vai raiando preguiçoso e o os pescadores de Cametá já estão na ativa. O trabalho de pesca começa com um serviço complicado: procurar os cardumes de mapará na imensidão do rio. Para isso, os pescadores contam com uma equipe especializada, comandada pelo taleiro, personagem fundamental dessa atividade. O trabalho precisa ser feito com muito cuidado. Enquanto os taleiros tentam localizar os cardumes de mapará, os outros pescadores do grupo ficam no aguardo, prontos para entrar em ação. A espera pode levar horas. De repente, a calmaria se transforma em agitação. Esse momento é decisivo. Os taleiros já deram o sinal, os cardumes já foram localizados e o grupo segue em fila para fazer o bloqueio do mapará. 

O bloqueio, ou borqueio, como dizem na região, nada mais é do que cercar o cardume no rio. A rede é lançada por dois barcos que vão fazendo um grande círculo. Quando os dois grupos se encontram, os ribeirinhos amarram as pontas da rede e o cercado está pronto. Com o mapará preso, os pescadores vão fechando o círculo e, aos poucos, deixando o peixe com menos espaço. 

O serviço precisa do apoio de um time de mergulhadores. Além das boias em cima, a rede tem chumbo na parte de baixo. O bloqueio é normalmente feito em áreas onde a profundidade do rio não passa de dez metros. Conforme o trabalho avança, vários barcos turistas e moradores da região se aproximam do bloqueio. 

Aos poucos, o bloqueio vai mudando de forma e o volume de curiosos aumenta. É tanto barco e tanta gente tirando foto que a polícia precisa ser acionada para evitar acidentes. 



Uma hora e meia depois do início do bloqueio, finalmente o trabalho vai chegando ao fim com a rede mais apertada e os barcos em volta. Em instantes, é possível ver os peixes. Para retirar o cardume do rio, alguns dos pescadores entram no cercado e enchem os cestos. 

O trabalho é pesado e leva tempo. A produção do dia, com mais de uma tonelada de peixe, é despejada em um barco da comunidade. Com tanto mapará, muitos visitantes ficam ouriçados e fazem de tudo para conseguir um pouco. A doação, em pequena quantidade, faz parte da tradição. 

A agitação da abertura da pesca se repete, ao mesmo tempo, em vários pontos do rio Tocantins. O mapará é dividido entre os pescadores e os membros da associação de pesca. Cada família da ilha também recebe um pouco de peixe para consumo próprio. 

O trabalho é realizado sempre fora do período do defeso e com redes autorizadas por lei, evitando, por exemplo, o uso de malha fina para não pegar peixe pequeno. O mapará costuma ser vendido numa faixa de R$ 7 a R$ 15 o quilo. Os compradores são atravessadores, que normalmente, revendem o peixe mesmo na região. 

Com o peixe na brasa e uma boa conversa, as famílias do baixo Tocantins comemoram o início de mais uma temporada de pesca do mapará, uma fonte de renda e alimento para milhares de pessoas nas ilhas do baixo Tocantins e cidades próximas, como Limoeiro do Ajurú e principalmente Cametá. 

Texto: Adaptado do G1 

Foto: reprodução Whatsapp